01 novembro, 2011

CATADORES - UM PROBLEMA SOCIAL

De um lado urubus, do outros seres humanos disputando o mesmo espaço. Uma cena triste, deprimente, mas que é vista por muitos como algo natural, ou fingem ser normal por conveniência. Esse é o comportamento atual da sociedade.

A situação apresentada pelo documentário nos faz refletir a cerca das pessoas que tentam dia após dia sobreviver daquilo o que é descartado pela maioria da população. Podemos até mesmo dizer que essas pessoas vivem das sobras de outras pessoas.
Esses personagens da vida real se encontram todos os dias em montanhas de lixo, um ambiente insalubre que os mantém em situação degradante. “Catar Lixo” ou “materiais recicláveis” é uma alternativa decente, entre aspas, como estratégia de sobrevivência para aqueles que se sentem “excluídos da sociedade”, e inconscientemente acabam “acreditando” que é esse tipo de vida que eles desejam de fato e talvez assim consigam minimizar os danos emocionais, as dificuldades e a discriminação social. Isso fica muito evidente no documentário quando essas pessoas têm a oportunidade de enxergar novas perspectivas de vida e quando o artista em questão se preocupa em integrá-los à sociedade através de seus quadros. A partir desse momento, a realidade vem à tona, levando-os a consciência da situação em que se encontram e então demonstram claramente que aquele não é o lugar correto e justo de se ganhar a vida, expressando um grande desejo...o de viver em condições mais humanas.
Uma pesquisa realizada por Ferreira (2005) em Uberlândia (MG) mostra que embora alguns dos “catadores” tenham uma idéia de que colabora com o meio ambiente, nenhum dos entrevistados declarou que catam lixo para preservar o meio ambiente e sim por falta de oportunidades. Outros dados da pesquisa apontam que a maioria são maiores de 30 anos, não concluíram nem o 1º grau de escolaridade e o pior é que 91% desses catadores possuem dependentes de sua renda proveniente do lixão. Assim pode-se concluir que essas pessoas estão ali em idade ativa por falta de uma política socioambiental realmente justa. Falta educação e boa vontade dos governantes e da sociedade mais privilegiada.

O documentário serve para mostrar que ali existem pessoas que se contentam com a vida que levam porque não existe outra forma e porque é assim que tem girado a engrenagem do sistema atual, porém existem anseios de uma vida digna com menos sofrimento, mas que cai no esquecimento como modo de defesa pessoal. O preconceito que essas pessoas sofrem é absorvido para dentro de si, criando um bloqueio que garante a acomodação de muitos, levando a acreditar que é um trabalho alternativo e que é assim que deve ser. Esse pensamento é alimentado pela “sociedade capitalista egoísta” quando afirmam que esses “agentes” são de grande importância para o meio ambiente, entretanto sabemos que um dos conceitos de sustentabilidade é que tenhamos uma “sociedade justa” e reciclar não deve ser tarefa dos “catadores” e sim de toda a sociedade e esses excluídos devem ser inseridos a ela de forma que possam escolher se querem de fato estar ali ou não. 

Reltório do Documentário Lixo Extraordinário
Apresentado ao Professor Luiz Teixeira (UVA-CF)

Fontes:    
MUNIZ, V. Documentário Lixo Extraordinário. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: .
FERREIRA, S. L. Os “Catadores do Lixo” na construção de uma nova cultura: a de separar o lixo e da consciência ambiental. Maringá/PR. 2005.

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